quinta-feira, agosto 09, 2007

BRASIL DO FUTURO




Em 1976, eu então estudante de Arquitetura estagiando num grande escritório da área, em Porto Alegre, fui demitido por conta de uma forte crise no setor da construção civil. Junto comigo saíram mais dez colegas. Éramos competentes e trabalhávamos árduo. Estávamos desempregados.
No início foi uma tragédia! Afinal perdíamos a tão desejada aparente estabilidade no emprego e, por fim, um bom salário.

Pois foi a primeira grande experiência positiva profissional. Dois ou três dias se foram e eu já estava com meu escritório próprio prestando serviço como autônomo; nunca mais tive carteira assinada!
Com o resultado do trabalho a maioria dos estudantes conseguia pagar as mensalidades da faculdade sem maiores dificuldades, até porque as linhas de crédito oferecidas pelo banco eram acessíveis.

Vivíamos com pouco dinheiro; andávamos a pé e não dependíamos de pai e de mãe, cuja satisfação era nos dar o conforto da casa.
Além disso, nossa auto-estima estava em alta porque o Brasil era o país do futuro onde tudo de bom aconteceria. Seria concluir um dos qualificados cursos técnicos profissionalizantes e trabalhar corretamente. Essa fórmula foi verdadeira por um tempo. Mais adiante tudo mudaria.

Hoje eu vejo jovens despreparados, desempregados e desocupados. Eles não têm acesso ao crédito educativo porque este é caro; cursos técnicos são oferecidos por escolas que surgem da noite para o dia e que, na verdade, buscam o lucro fácil e rápido.
Instituições de ensino se transformam em faculdades que logo ali adquirem o título de centros universitários e com calculado esforço, em pouco tempo, estampam letreiros luminosos “vendendo ensino superior” – de qualidade duvidosa. Tudo acontece com aval dos órgãos governamentais.

Hoje andamos de carro porque o transporte coletivo é ruim e inseguro; à noite ficamos em casa acordados até que nossos filhos coloquem a chave na porta ao voltarem de encontros com os amigos ou das faculdades, quando conseguem cursar algumas poucas disciplinas.

Faltam referências positivas para os nossos jovens; não temos líderes na política e na estrutura administrativa do País; faltam referências musicais e, na maioria das vezes, ouvimos musicas de péssima qualidade com letras que não dizem nada; a mídia cria escritores-celebridades colocando em segundo plano os talentosos; faltam ética, educação e vergonha na cara, porque elegemos nossos representantes através de avaliações pessoais superficiais.

Ao contrário do que ocorreu em 76, hoje não existe crise na construção civil, mas contraditoriamente, a população não tem renda familiar suficiente para comprar a casa própria, mas compra o carro que custa pouco menos da metade do valor de um imóvel popular. A crise só não acontece porque uma faixa da sociedade ainda consegue contrair dívidas que são diluídas na hora da compra por conta da existência do escambo, mais um pouco de dinheiro e longos parcelamentos. Enquanto isso a grande maioria da população pobre não tem onde morar e os programas habitacionais são poucos e mal gerenciados.

Positivamente, a relação entre o empregador e o trabalhador adapta-se paulatinamente à realidade, na qual o trabalho é remunerado pela produção do serviço prestado que é executado de forma terceirizada. Para mim uma evolução.

Nesses 31 anos transcorridos desde 76 continuamos esperando que o futuro aconteça.
Talvez, pudéssemos começar demitindo uns e outros incompetentes que estão ocupando cargos da administração pública e interessados no salário, aposentadorias e outras vantagens.
Quem sabe daqui a 31 anos o futuro chegue para o Brasil.

3 comentários:

  1. Muito bem dito!
    Hoje em dia a coisa está tão complicada que até para ser traficante neguinho tem que fazer cursinho e teste de admissão.

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  2. Sinais dos tempos no Brasil!
    Obrigado pela visita.

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