segunda-feira, agosto 20, 2012
domingo, agosto 19, 2012
segunda-feira, agosto 13, 2012
AGOSTO/2012
http://www.fundacaoecarta.org.br/musica/musical.asp
18/08 | 18h
Retratos do Tempo, com a banda Jazzueira
O show é o álbum da memória musical da trajetória dos músicos da Jazzueira. São fragmentos de influências musicais dos componentes da banda, estampadas nas letras, harmonias e improvisos jazzísticos sobre a raiz do blues, comum a todos os integrantes da banda. Na estrada desde 2009, a banda Jazzueira apresenta repertório completamente autoral com composições em português. Fluindo no palco com espontaneidade lançam os elementos do improviso com saxofone e flauta transversal em sonoridade muito particular. Com uma apresentação contagiante, estes senhores músicos divertem a platéia celebrando a alegria de estar na estrada reforçando que nunca é tarde para sonhar e manifestar arte. Formada pelos músicos Uncle George (voz e guitarra), Nico Sebolt (flauta transversal e saxofone), Maurinho (contrabaixo) e Foguinho (bateria), a banda apresenta canções que contam histórias de amores, amizades, tristezas, parcerias boêmias e aventuras.
GEORGE ARRIENTI (Uncle George) - Compositor, vocalista e guitarrista. Como vocalista da Jazzueira destaca-se pelo timbre marcante e expressivo nas suas interpretações performáticas. Iniciou sua trajetória musical nos festivais estudantis da década de 70 que aconteciam no auditório Araujo Viana em Porto Alegre. É o compositor das canções da banda observando a importância de usar a língua portuguesa sobre a trilha do blues e jazz. Integrou a banda de blues BBlues.
MAURO SARMENTO – Iniciou-se na música em 1978 estudando flauta doce e violão popular. Em 1983 integrou a banda gospel Videira como contrabaixista. Nos anos 90 integrou o grupo folclórico Caburé executando repertório latino-americano e gaúcho. Atuou como arranjador e instrumentista no primeiro disco da banda Os The Dharma Lovers em 2005. Atuou como arranjador e instrumentista na banda BBlues. Desde 2009 entregou-se ao blues e o jazz da banda Jazzueira.
NICO SEBOLT – Co-fundador da banda instrumental Tocaia em parceria com Geraldo Fisher, Luis Ortiz e Claudio Nilsom. Integrou e gravou com grupos, como Unamerica e Café Nice. Acompanhou Adriana Marques, Arthur de Faria, Talo Pereira e Silvana Cruz. Integrou a banda Fussura Jazz Band nos anos 90. Atua como instrumentista, compositor e professor de flauta e sax na região metropolitana.Sua principal característica como músico da Jazzueira é a improvisação.
RENATO RANZOLIN – Carioca naturalizado gaúcho, iniciou sua carreira profissional em 1960, como baterista, compositor e arranjador do conjunto Claudio e os Gold Fingers. Tocou em grandes bandas de baile como, Apache, Musical Porto Alegre, Os Diamantes, Musical Pepe Show. Acompanhou Elis Regina no projeto Trem Azul, bem como turnês de Cauby Peixoto, Martinho da Vila, Arthur de Farias, Mariza Rotemberg, Adriana Marques e Simone Rasslan. Atualmente dedica-se ao trabalho de blues e jazz da banda Jazzueira.
18/08 | 18h
Retratos do Tempo, com a banda Jazzueira
GEORGE ARRIENTI (Uncle George) - Compositor, vocalista e guitarrista. Como vocalista da Jazzueira destaca-se pelo timbre marcante e expressivo nas suas interpretações performáticas. Iniciou sua trajetória musical nos festivais estudantis da década de 70 que aconteciam no auditório Araujo Viana em Porto Alegre. É o compositor das canções da banda observando a importância de usar a língua portuguesa sobre a trilha do blues e jazz. Integrou a banda de blues BBlues.
MAURO SARMENTO – Iniciou-se na música em 1978 estudando flauta doce e violão popular. Em 1983 integrou a banda gospel Videira como contrabaixista. Nos anos 90 integrou o grupo folclórico Caburé executando repertório latino-americano e gaúcho. Atuou como arranjador e instrumentista no primeiro disco da banda Os The Dharma Lovers em 2005. Atuou como arranjador e instrumentista na banda BBlues. Desde 2009 entregou-se ao blues e o jazz da banda Jazzueira.
NICO SEBOLT – Co-fundador da banda instrumental Tocaia em parceria com Geraldo Fisher, Luis Ortiz e Claudio Nilsom. Integrou e gravou com grupos, como Unamerica e Café Nice. Acompanhou Adriana Marques, Arthur de Faria, Talo Pereira e Silvana Cruz. Integrou a banda Fussura Jazz Band nos anos 90. Atua como instrumentista, compositor e professor de flauta e sax na região metropolitana.Sua principal característica como músico da Jazzueira é a improvisação.
RENATO RANZOLIN – Carioca naturalizado gaúcho, iniciou sua carreira profissional em 1960, como baterista, compositor e arranjador do conjunto Claudio e os Gold Fingers. Tocou em grandes bandas de baile como, Apache, Musical Porto Alegre, Os Diamantes, Musical Pepe Show. Acompanhou Elis Regina no projeto Trem Azul, bem como turnês de Cauby Peixoto, Martinho da Vila, Arthur de Farias, Mariza Rotemberg, Adriana Marques e Simone Rasslan. Atualmente dedica-se ao trabalho de blues e jazz da banda Jazzueira.
sábado, agosto 11, 2012
LISCA - o
domador
Julho ou agosto. Fazia muito frio ao
pé da Serra do Caverá. O vento pampeano não encontrava poeira alguma para
levantar. A terra úmida deixava a estrada
levemente embarrada e escorregadia. Do mata-burro até a sede da Estância Santa Leonida, Lisca levava, a
pezito, um pouco mais de um quarto-de-hora. Bota de cano alto, poncho surrado,
uma boina de lã e a velha mala de garupa, que agora descansava sobre seu ombro
direito. O lado esquerdo do negro Lisca era mais arriado que o outro. A mala
escorregava e caía..
De tantas quedas sofridas, o negro
já havia quebrado quase todos os ossos do corpo. Mas, ainda assim era forte
como o redomão que, quando avistava o peão domador ponteando na coxilha,
resmungava entre corcoveios e relinchos.
Atado no palanque e levando uma sova
atrás da outra, entre gritos de “te-acalma-redomão”, Lisca suava para dominar o
animal. O crioulo então, desatou as rédeas do palanque, encilhou o maltratado
cavalo, montou-o e riscaram em direção à taipa, que era rodeada por
corticeiras. E foi numa delas que o corcel deu de cabeça, furioso que estava
pelas surras que tinha levado do negro. Logo sangrou pelo corte provocado em
consequência do esbarro cometido. O tronco arrancou-lhe um pedaço do couro
rosilho.
Próximo dali, embaixo de uma
figueira centenária, Lisca derrubou o seu amigo ferido, algemou-lhe as patas
com tiras de couro e iniciou a cirurgia. Costurou a testa do animal depois de
passar um “splay” - como Lisca falava - para amenizar a dor do bicho. Com o
joelho no pescoço do cavalo, examinou o
tordilho. Lisca, então, o batizou: -
Ele vai se chamar Remendo, o Redomão.
Anoiteceu. Depois de tomar uns
mates com os companheiros de lida e lasquear a paleta de ovelha aquecida no
fogo de chão, Lisca pediu licença e saiu do recanto onde proseavam seus amigos.
Pegou uns pelegos, o poncho, a mala de
garupa e foi para baixo da figueira. A cachorrada saiu atrás. Recostou-se no
tronco, fez um palheiro e descansou sua adaga bem ao lado para um causo de
emergência. Acendeu o cigarro, puxou uma daquelas longas tragadas, olhou para o
nada e soltou devagar a fumaça.
O frio e o vento não lhe
incomodavam. Sentiu-se até muito bem. O frio,
acalmava-o; o vento trazia o
cheiro da terra e do campo. Quanto mais forte o vento soprava, mais claro ele
ouvia o barulho dos quero-queros e siriemas cuidando da noite.
O som de uma oito-baixos vinha do
galpão, misturado às risadas da peonada ouriçada pelos tragos que bebiam. A
guampa rolava de mão em mão, quase discreta.
Lisca se perdeu em pensamentos no
meio da fumaça de seu palheiro. Não era dado a longas conversas, a não ser
consigo mesmo. Hoje o negro completava 52 anos de vida e 30 de doma.
Durante muito tempo Lisca levou uma
vida nômade, “gáucha” de verdade! De estância em estância na época da esquila,
e de invernada em invernada, domando cavalos e éguas pelas terras dos doutores
patrões. Era seu aniversário e nada de churrascada, nada de guampas encharcadas
de canha, nada de mulheres.
Na sua lembrança surgia a imagem de
sua mãe. De certo que “Dona Lilica” estaria preparando a janta na sede da
Estância do Paço, bem longe dali. De seu pai veio-lhe a figura de um negro com
braços tão fortes que seria capaz de derrubar um sobreano com um único tapa.
Mal e mal conviveu com seu pai. O
“Negro Valdo”, como era chamado, morreu depois de ser picado por uma cruzeira
quando percorria o campo, numa noite quente de verão, atrás de ladrões de gado.
Seu pai não resistiu e morreu quando Lisca tinha 10 anos. Aos 12 saiu para a
lida e, de verão em verão, visitava Dona Lilica.
Uma dor forte na perna esquerda fez o
negro Lisca interromper seus pensamentos. A dor era sua velha conhecida. Foi de
um tombo que o fez “cair no chão”. O osso grande da perna se quebrou em duas
partes. A ponta de um deles rasgou o couro e ficou pra fora. O sangue jorrava
pra todo lado.
Na época da quebradeira Lisca domava
cavalos em uma estância que ficava do lado de lá da fronteira. O campo dos
uruguaios ficava longe de tudo. Não havia recurso. O único disponível, na hora
da fratura vinha de uma parteira que entalou a perna do negro Lisca com pedaços
de lenha usadas para aquecer as estufas e salamandras.
Lisca se
curou. “Ficou mal juntado”, explicava o negro.
Aos 52, Lisca fazia um balanço de sua vida. Sabia que
era um dos melhores domadores da fronteira. Havia domado “uns quantos” cavalos
e éguas. Nunca fizera as contas e, quando um ou outro gaúcho lhe perguntava
quanto tinha juntado de dinheiro, Lisca desconversava e bebia mais um gole. Mas
quando lhe faziam um elogio, o negro ficava mais feliz que cusco em churrascada
domingueira. Aí, contava daquela doma e do outro tombo e da égua que lhe quebrou
a perna, e mostrava a cicatriz e o calombo que aparecia na canela.
Nessa noite no entanto, Lisca estava
meio malito. Sentiu-se triste, confuso, sem explicação. Foi até o galpão, deu
de mão na primeira guampa de canha que avistou e voltou para sua figueira. Um
ovelheiro havia deitado sobre seus pelegos. No primeiro momento, Lisca teve
vontade de correr o laço no guaipeca, só que hoje, Lisca estava diferente.
Sentou-se ao lado do Peludo, passou a mão pela cabeça do cusco e concluiu que
ali estava um companheiro fiel.
A oito-baixos tocava uma valsa
triste. Lisca chorou.
As
lembranças de seu pai e de sua mãe, os seus 30 anos de lida, “as quantas
domadas”, as mulheres que teve e as que não teve, o dinheiro que não ganhou, a
gaita soando ao fundo, os quero-queros e o vento fizeram Lisca sentir um pouco
de frio.
Na verdade ele não sabia o que estava
lhe acontecendo; pelo que se lembrasse, nunca havia ficado tão triste como
agora... Ficou pesaroso quando morreu o “Doutor João”, seu patrãozito da
Estância do Paraíso. Outra vez ficou magoado quando mataram algumas cabeças do
plantel de primeira dos correntinos.... mas, desse jeito de agora, Lisca nunca
tinha ficado.
No seu balanço, Lisca concluiu que, de
tudo que teve, lhe sobrara solamente um cavalo, o Remendo, os pelegos e trapos,
uma adaga, um ovelheiro e.....nada mais! Acabou emborcando a guampa e tomou a
canha até o fim. Sentiu-se menos triste.
A oito-baixos se aquietou. Ele,
virou-se, olhou na direção do galpão e viu apenas a luz do lampião na porta de
entrada. O cheiro da lenha queimando vinda da lareira da casa
grande, fez Lisca respirar fundo e
fechar os olhos. Sentiu menos frio.
Adormeceu encostado no Peludo.
sábado, março 24, 2012
POR TRÁS DA FUMAÇA
Por
trás de toda a fumaça vinda da fogueira acesa pela televisão oportunista e
sensacionalista “desse país”, está o interesse em empurrar para baixo do tapete
vermelho a falta de capacidade, incompetência e desinteresse dos gestores da
saúde pública - e até da privada do Brasil da Copa de Primeiro Mundo.
Denunciando
empresários que corrompem os corrompidos funcionários da saúde pública
corrompida, o foco da inoperância foi jogado na direção que interessa no
momento, ou seja, nos induzir ao esquecimento dos gestores incapazes e não nos
deixar cobrar por resultados.
Agora, a culpa é dos empresários e dos funcionários da terceira linha na hierarquia politiqueira e nojenta. A próxima notícia dirá que dinheiro tem, mas eles (os empresários) roubam e sobra quase nada.
Até então ou até a notícia plantada e espalhada pela televisão em rede nacional, “ninguém sabia de nada”.
A denúncia é bem-vinda. Espantará alguns ratos asquerosos, mas por um tempo curto como curta é a memória do povo.
Agora, a culpa é dos empresários e dos funcionários da terceira linha na hierarquia politiqueira e nojenta. A próxima notícia dirá que dinheiro tem, mas eles (os empresários) roubam e sobra quase nada.
Até então ou até a notícia plantada e espalhada pela televisão em rede nacional, “ninguém sabia de nada”.
A denúncia é bem-vinda. Espantará alguns ratos asquerosos, mas por um tempo curto como curta é a memória do povo.
Eles
retornarão, porque quase nada acontecerá.
Eles virão como na metamorfose de Kafka,
transformados em baratas repugnantes a rastejar pelos gabinetes fétidos.
sábado, março 17, 2012
"SE NA NOITE"
SE NA NOITE EU ME PERCEBO
TENHO QUE ESQUECER OS DIAS
ONDE SOU UM PERSONAGEM
NUM PALCO DE FANTASIA
FRASES FEITAS, CARETICES
REGRAS QUE NÃO VOU SEGUIR
NÃO É ESSA MINHA ESTRADA
SÓ SE FOR PARA FUGIR
VOU TOCAR O MEU CAMINHO
NÃO SUPORTO MAIS FINGIR
UM PALCO, UM BLUES, VERDADES DA ALMA
AS LUZES DA NOITE EU VOU SEGUIR
sábado, janeiro 14, 2012
AS RELAÇÕES VIRTUAIS
Faço parte do grupo de indivíduos que
ainda não aderiu ao 3G porque não
acreditamos na qualidade do sinal.
Aqui em Xangri-lá vamos até o shopping ligar nossos notes, nets, ipads, ipods, iphones, tablets e a parafernália digital-eletrônica que a todo o momento surge no mercado.
Plugados, conversaremos com o mundo e ficaremos sabendo de tudo o que está acontecendo com os amigos dos amigos que são amigos daquele amigo que é amigo de amigos comuns.
Enfim, o caminho para as relações é instantâneo, frio, cibernético.
Não há possibilidade para um abraço, um beijo ou um toque de mãos, ou melhor, tudo isso acontece sim, mas de forma virtual, através de palavras abreviadas e símbolos que temos que assimilar.É um código novo, uma escrita grunge cheia de novidades, mas para mim, sem emoção.
Acho que os visionários das máquinas, hardwares e softwares não tinham noção do poder de mudança de comportamento que suas invenções provocariam nas pessoas e nas relações humanas.
Talvez, uma pesquisa mais aprofundada pudesse provar a tese que venho formulando, pois desconfio que os nerds fossem pessoas solitárias e distantes das emoções mais singelas, ou seja, aquelas que fazem parte do pacote que cada um de nós carrega desde o nascimento.
Acho que eles não sentiam (e não sentem) amor e nem ódio e não tinham (e não têm) medo da morte.
Para exemplificar, eu vi numa das tardes em que fui ao shopping aqui na praia, uma típica família que demonstrou claramente o nível das relações entre indivíduos na atualidade.
O pai e a mãe, com não mais de 35 anos e a filha com 7 ou 8 anos, sentaram-se para aquilo que poderia ser uma agradável oportunidade para conversas e troca de experiências.
Mas, o pai e a filha estavam concentrados nos seus respectivos celulares; teclavam sem parar e, por vezes sorriam, porém para o próprio aparelho; a mãe tinha um note aberto e, da mesma forma, teclava e balançava a cabeça parecendo estar se divertindo.
Durante 15 ou 20 minutos em que eu pude observar, nenhum deles levantou os olhos ou disse alguma palavra para o outro.
Para mim, uma cena hilária, pois aquilo era para ser uma família, pelo menos dentro dos meus conceitos, talvez ultrapassados para alguns.
Desconfiado e procurando um consolo, pensei que eles poderiam estar, naquele momento, conversando entre si através de suas máquinas digitais, como se fosse um jogo ou um ritual entre membros de uma mesma família.
Pensei, simplesmente pensei...
Aqui em Xangri-lá vamos até o shopping ligar nossos notes, nets, ipads, ipods, iphones, tablets e a parafernália digital-eletrônica que a todo o momento surge no mercado.
Plugados, conversaremos com o mundo e ficaremos sabendo de tudo o que está acontecendo com os amigos dos amigos que são amigos daquele amigo que é amigo de amigos comuns.
Enfim, o caminho para as relações é instantâneo, frio, cibernético.
Não há possibilidade para um abraço, um beijo ou um toque de mãos, ou melhor, tudo isso acontece sim, mas de forma virtual, através de palavras abreviadas e símbolos que temos que assimilar.É um código novo, uma escrita grunge cheia de novidades, mas para mim, sem emoção.
Acho que os visionários das máquinas, hardwares e softwares não tinham noção do poder de mudança de comportamento que suas invenções provocariam nas pessoas e nas relações humanas.
Talvez, uma pesquisa mais aprofundada pudesse provar a tese que venho formulando, pois desconfio que os nerds fossem pessoas solitárias e distantes das emoções mais singelas, ou seja, aquelas que fazem parte do pacote que cada um de nós carrega desde o nascimento.
Acho que eles não sentiam (e não sentem) amor e nem ódio e não tinham (e não têm) medo da morte.
Para exemplificar, eu vi numa das tardes em que fui ao shopping aqui na praia, uma típica família que demonstrou claramente o nível das relações entre indivíduos na atualidade.
O pai e a mãe, com não mais de 35 anos e a filha com 7 ou 8 anos, sentaram-se para aquilo que poderia ser uma agradável oportunidade para conversas e troca de experiências.
Mas, o pai e a filha estavam concentrados nos seus respectivos celulares; teclavam sem parar e, por vezes sorriam, porém para o próprio aparelho; a mãe tinha um note aberto e, da mesma forma, teclava e balançava a cabeça parecendo estar se divertindo.
Durante 15 ou 20 minutos em que eu pude observar, nenhum deles levantou os olhos ou disse alguma palavra para o outro.
Para mim, uma cena hilária, pois aquilo era para ser uma família, pelo menos dentro dos meus conceitos, talvez ultrapassados para alguns.
Desconfiado e procurando um consolo, pensei que eles poderiam estar, naquele momento, conversando entre si através de suas máquinas digitais, como se fosse um jogo ou um ritual entre membros de uma mesma família.
Pensei, simplesmente pensei...
domingo, dezembro 25, 2011
NATAL TEM DISSO
Súbita
tristeza e a vontade de abraçar e beijar meu pai e minha mãe!
Feliz
Natal, queridos!
domingo, novembro 27, 2011
ORIOVALDO E A MOSCA BRANCA
Na safra de algodão, Oriovaldo trabalhava duro! Acordava e logo dependurava o saco de linhagem nas costas
largas no qual colocava o algodão que colhia.
A plantação ocupava uma grande área
da Fazenda Brilhante no interior de um pequeno município do Centro-Oeste.
Durante o dia o calor era intenso e
seco e o vento, em certas horas do dia, era insuportável!
Oriovaldo não tinha muitos problemas com a rudeza do clima. Nasceu e se
criou entre plantações de soja e algodão, tanto que, no meio da tarde, soprava
o vento que só trazia um inconveniente: a poeira vermelha e muito fina que penetrava narinas à
dentro causando o único desconforto para ele.
Mas ocorria outro fenômeno: quando a
terra seca baixava o vento trazia junto uma enorme nuvem de moscas brancas. Uma
verdadeira praga! Pouco ou quase nada se podia fazer para evitá-las.
Vez por outra Oriovaldo tinha que aplicar na lavoura um veneno muito
forte e altamente tóxico que tinha a função de
matar as moscas pentelhas.
Experiente no assunto, Oriovaldo,
com 35 anos era num negro forte e, de tão preta que era a sua pele, chamavam-no
pelo apelido de “Azulão”.
Ele já não se incomodava mais com este
fato, porém sempre que tinha uma folguinha, ficava a pensar como seria a vida para ele se branco ele
fosse!
Ah! Aí estava o sonho do negro
Azulão! Queria ser pelo menos por alguns instantes um sujeito de pele branca.
Chegou a pensar que até sentiria menos calor por causa da nova cor.
Assim, Oriovaldo sonhava e sonhava...
Na realidade era o trauma de Oriovaldo.
Numa tarde muito quente, quando Oriovaldo estava em plena colheita ouviu
o chamado de um catador que estava próximo. Prontamente o negro foi ao encontro
do colega. Ao se aproximar viu que havia acontecido uma grande tragédia.
- Acho que o moleque morreu; ele caiu de uma vez só, - disse o catador
de algodão.
Ali estava o corpo entre flocos de
algodão, poeira e moscas brancas que voavam de um lado para o outro e, de vez
em quando, pousavam sobre o rosto do garoto desacordado.
Carregado até o posto de saúde ficou
atestado pelos médicos que o moleque morrera do coração.
Mais uma tarefa para Oriovaldo:
tratar do velório.
O negrão fazia de tudo para agradar aos patrões. Realmente era muito
prestativo.
Então, Oriovaldo varreu a sala,
colocou os bancos para os parentes e amigos, trouxe uma bombona daquelas de plástico
cheia de água e ficou esperando o corpo chegar do necrotério.
Tudo ia muito bem durante o velório e Oriovaldo percebeu que poderia
sair para fumar um cigarrinho e tomar um pouco de ar, já que as coisas estavam
todas em seus devidos lugares.
Passou pela parentada do moleque,
ouviu o choro e as lamúrias de algumas mulheres, pediu licença e foi até a
cerca perto de um pé de manga
rosa-coração.
Foi quando um “pé-de-vento” soprou no
rosto de Oriovaldo dando-lhe uma sensação de alívio. Na verdade ele não andava
se sentindo muito bem. Desde a manhã daquele dia, depois que aplicou o veneno,
que o negro estava um pouco tonto e com um mal-estar que ia e vinha.
- Parece que comi muita pururuca com pinga, pensou Oriovaldo.
E, sentiu como que se o vento o
tivesse arrancado da cerca e levado seu corpo para cima. Sentiu-se voando. Via
tudo de cima; as pessoas chorando; outras conversando e tomando água por causa
do calor e viu o caixão aberto e o menino repousando para a eternidade. Tudo
parecia muito estranho para o negro.
Nesse instante Oriovaldo quis coçar o
braço, mas notou que o seu lado direito parecia mais com uma peça de seda bem
fina. Pareceu-lhe ser feito de um pano de algodão muito branco.
Oriovaldo assustou-se mais ainda
quando viu a sua imagem refletida na cruz prateada que decorava o velório.
- Sempre quis ser branco por uns instantes, mas não como uma mosca,
gritou Oriovaldo horrorizado!
Ninguém ouviu seu grito. Ele tinha
sido transformado numa mosca branca.
O veneno tóxico inspirado pelo negro durante aquela manhã e a picada de
uma das centenas de moscas que sobrevoavam o velório fez o Azulão virar uma
mosca! Uma mosca branca!
O velório seguia sua rotina. O cemitério ficava no fim da lavoura, perto de uma árvore de ipê-roxo pelo lado sul
da fazenda.
Já cansados de procurar e esperar pelo negro Oriovaldo, que era muito
amigo do finado moleque, e antes de colocar a tampa para fechar o caixão, os
parentes partiram para os atos finais de
encomendação do defunto.
Feito de madeira de pinus o
caixão mais parecia uma caixa de embalagem de frutas do que um caixão de finado.
O ritual seguia sendo cumprido normalmente e Oriovaldo, agora transformado
em mosca branca, pousou sobre o caixão. Quando se deu por conta a tampa estava
sendo colocada e o negro, ou melhor, a mosca branca foi forçada a alçar-se num vôo
suicida para dentro do caixão.
Oriovaldo tentou chamar a atenção das
pessoas para si. Porém ninguém o ouviu. Ele gritou, bateu as asas finas, tentou
voar enquanto a tampa começou a ser pregada! Ele entrou em desespero. A
escuridão tomou conta do lugar. Oriovaldo procurou voar, mas sempre terminava
batendo com a cabeça na madeira do caixão. O cheiro das margaridas que
envolviam o corpo embrulhou seu o estômago. Por um momento quase vomitou, mas
conseguiu conter-se até porque não queria lambuzar o finado.
Num instante, Oriovaldo percebeu que
havia uma fresta entre a tampa e a parte de baixo onde repousava o defunto. Aproximou-se
do pequeno orifício, espiou, novamente tentou gritar, bateu as asas freneticamente,
mas ninguém percebeu sua angústia.
Oriovaldo tentava raciocinar:
- Nunca pensei em ser uma mosca branca; sempre quis ser um branco;
jamais poderia imaginar que um dia eu ficaria preso dentro de um caixão de
defunto e com o defunto junto! E mais: daqui a um pouco eu serei enterrado com esse moleque.
Depois de passar alguns minutos ouvindo e espiando o reverendo proferir
as últimas palavras de enaltecimento ao féretro e distribuindo todas as bênçãos
aos presentes, Oriovaldo sentiu-se cansado. Precisava descansar, repousar. Não
tinha mais o mesmo vigor nas suas asas brancas; a voz do padre sumiu por
completo dando fim as despedidas.
Procurou então um lugar mais
confortável para poder recuperar as energias. Encostou-se e relaxou. Quando estava
quase adormecendo, tomado pela exaustão, sentiu uma movimentação estranha.
- Será que estão carregando o caixão? – pensou.
Mas a seguir conclui horrorizado que
o caixão não havia sido deslocado.
- Mas senão é o caixão então... E, soltou um berro de acordar até um
defunto!
O moleque havia mexido a mão e justamente
a mão onde Oriovaldo havia pousado.
Mais uma vez o negro tentou fugir e
terminou batendo a cabeça na tampa. Meio tonto voou sem rumo e acabou pousando,
forçadamente, no nariz do moleque.
- Aaaaaaatchimmmm!
Este foi o resultado da barbeiragem
de Oriovaldo!
O pouso forçado provocou o espirro
que foi ouvido num raio de quinze metros. A tampa do caixão foi arrancada em
função do deslocamento do ar e saltou como um foguete; bateu no ventilador de
teto e provocou a maior confusão na sala do velório.
Os convidados correram de um lado
para o outro como se fossem moscas tontas. Vasos com flores e bancos foram derrubados;
a bombona de água virou molhando o chão de cimento queimado; uma senhora de
oitenta e oito anos escorregou e ficou com as pernas arriadas. Um velho, de
noventa anos, viu a velha amiga que caíra, deixar a mostra as suas partes mais
íntimas e lembrou-se de quantas vezes transitara por aqueles caminhos... Deu um
suspiro e logo tentou sair do velório, mas antes bateu cabeça com o reverendo
que se aproveitou da humilhante posição da carola para conferir se tudo ainda
estava no lugar.
A mosca branca, ou melhor, Oriovaldo havia aproveitado o momento do “lançamento
de tampa de caixão” para voar o mais rápido possível para longe daquele lugar. Procurou
a primeira janela aberta e alçou vôo com
destino à lavoura. Fez um sobrevôo de reconhecimento e notou que o moleque
havia acordado.
Na realidade, ocorrera que a
insolação e o cheiro forte do veneno provocaram um rebuliço na cabeça do
menino. Cléberson não tinha morrido, então!
Passaram-se duas semanas e Cléberson, o moleque, agora totalmente
recuperado, sentou-se à mesa para o almoço com a família e seu mais novo amigo
- a mosca branca!
Oriovaldo e Cléberson haviam ficado
íntimos. Os laços dessa amizade foram selados por iniciativa de Cléberson que acompanhou
compulsoriamente, ao vivo e pessoalmente, os acontecimentos dentro daquele
caixão. Ele sabia da história de Oriovaldo, até mesmo pelo fato de que o moleque
era o único que conseguia ouvir o negro Azulão gritar e falar. Assim, o negro
acabou contando com detalhes a sua transformação.
Oriovaldo passava o tempo todo ao lado de seu amigo com quem tinha
momentos de muita alegria e felicidade. Os dois amigos davam-se tão bem que
passavam horas relembrando o fato ocorrido no velório e dobravam-se em sonoras
gargalhadas.
Pois foi num desses momentos de total distração que aconteceu a outra
tragédia!
A avó de Cléberson, a senhora que
havia escorregado no velório, recuperada
do tombo no dia da “ressurreição” de seu neto, aproximou-se cuidadosamente e,
com o chinelo na mão, desferiu um golpe certeiro naquela mosca branca que estava
pousada no ombro do neto.
- Essa nojenta já era, disse a anciã vitoriosa olhando para o inseto e
empurrando-o para o chão com a ponta do chinelo.
Cléberson olhou para Oriovaldo e não conseguiu acreditar no que havia
acontecido.
Tentou reanimá-lo sem sucesso.
Oriovaldo estava morto! A chinelada fora mortalmente definitiva.
Num gesto carinhoso Cléberson colocou Oriovaldo dentro de uma caixa de
fósforos pensando em fazer uma última homenagem ao amigo. A caixinha descansava
sobre um guardanapo branco que estava em cima da mesa de jantar.
Cléberson lembrou-se das conversas, risadas e dos passeios que faziam
quando não havia muito vento. Lembrou-se
do espirro que seu amigo Oriovaldo havia lhe provocado no velório.
Lembrou-se da confusão e da correria
das pessoas...
Cléberson decidiu que não iria chorar. Enrolou a caixinha no guardanapo
branco e decidiu que a levaria até a lavoura. Abriu uma pequena cova e enterrou
seu amigo ficando com todas as tristezas entranhadas na sua mente. Não chorou!
Naquela noite ele foi dormir tomado por uma enorme sensação de vazio. Demorou
muito para que o sono chegasse. Dormiu na rede de renda branca que ficava sob
uma mangueira no pátio da casa.
O dia
começou a nascer e Cléberson foi acordado por uns respingos que caiam no seu
rosto entristecido. Aos poucos começou a abrir os olhos. Mais um respingo, e
mais outro e outro...
Passou a língua pelo canto da boca e
sentiu o sabor do suco de manga-coração. Percebeu que um pássaro azul, quase
preto, estava bicando a fruta suculenta.
O
moleque acordou de vez, saltou da rede e falou baixinho fitando o
pássaro nos olhos e que agora cantava e batia as asas longas: - Azulão, é você
meu amigo!
Assinar:
Postagens (Atom)












