A evolução da humanidade se faz por conta da ansiedade. Tenho certeza
disso.
Por isso morremos enfartados. Não sabemos dimensionar nossas
necessidades mais primárias.
Basta ver como nos comportamos.
Se vamos a uma recepção nos preocupamos com os cartões de visita e os
colocamos estrategicamente no bolso do paletó para que tão logo sejamos
apresentados ao outro, o aperto de mãos seja seguido de um cartonasso recíproco. Tudo muito mecânico e contábil.
Rimos e demonstramos segurança e afabilidade. Sorrimos e nos fazemos
de velho amigo.
Logo partimos à caça e procuramos outro possível “negócio”.
Somos abordados e abordamos porque ninguém deve perder tempo; ninguém
deve ser notado encostado num canto conversando sobre qualquer coisa que não
seja “negócio”.
Assim é o padrão de comportamento se quisermos ser reconhecido e
aceito na tribo.
Se vamos ao teatro queremos o melhor lugar e corremos a fim de chegar
antes à bilheteria.
Se estivermos no trânsito temos que ultrapassar, pois estaremos em
vantagem. Afinal chegaremos dez minutos antes.
Vamos ao restaurante e lutamos por aquela mesa na janela.
Nosso carro deve ser do ano. É preciso, porque o cliente fará sua
avaliação de zero a dez ao observar o carro, a roupa, o corte de cabelo, o
relógio e modelo de nosso telefone celular.
Nós com mais de 50 temos a impertinência de nos acharmos um pouco
acima das coisas, pois os tropeços e vitórias nos avalizam. Sempre dizemos isso.
Nossos cabelos brancos impõem certo respeito. Mas nos deixam incomodados porque
parecemos velhos e isso poderá atrapalhar em algum momento.
Na verdade o comportamento humano, ao longo da história, demonstra uma
enorme ansiedade que é provocada por regras impostas por padrões de comportamento
da tribo em que vivemos e pelas oportunidades que vislumbramos.
Não conseguimos nos enxergar igual ao outro e nos exigimos sermos superior, melhor e mais esperto.
Agora me dou conta. Escrevi
este texto porque me sentia ansioso e agora ficarei mais ansioso ainda aguardando
por algum comentário no meu blog.