terça-feira, janeiro 06, 2009

LER É MELHOR QUE VER

Preparei-me entusiasmado para o seriado Maysa, mas logo arrefeci quando surgiram imagens de personagens que mais pareciam irmãos quando deveriam ser mãe e filha.
Outro exemplo é o caso do confesso apaixonado empresário que não envelheceu fato que constatei quando, anos mais tarde, então ele casado com Maysa, desfila sem um fio de cabelo branco ou rugas.
Maysa, por sua vez, ainda quando menina é acarinhada por sua mãe que também não muda fisionomia.
A cena mais deplorável é quando Maysa e seu marido estão no carro em viagem; ela fuma um dos “trocentos “ cigarros que permanece com a cinza intacta; os cabelos não estão desgrenhados – apesar do suposto vento - e nenhum som de buzinas e motores de carros é ouvido durante o trajeto.
Ah, sim! O carro tinha ar condicionado!

Por isso ler ainda é melhor que ver!
Nossa imaginação não nos trai e é rica em detalhes, cores, formas e tem noção de tempo passado, presente e futuro e o mais importante: nosso cérebro não se vale de exagerados retoques de “photoshop”.

sexta-feira, outubro 17, 2008

AS NOVAS ADMINISTRAÇÕES

Fico aqui pensando como serão as novas administrações municipais após as eleições.
Acompanhei, embora que distante e sem muita motivação, debates e propagandas políticas; estas, então, ridículas tanto pela obrigatoriedade do cedimento de espaços na mídia como pela falta de conteúdo e qualidade de alguns – quase todos - candidatos despreparados e demagogos.
Com a classe política desmoralizada por conta de repetidos casos de corrupção e deslizes éticos, candidatos se esforçaram – e ainda se esforçam - tentando convencer eleitores prometendo coisas impossíveis. E, mesmo sabendo da falta de dinheiro que irão enfrentar, seguem insistentes por baixo de camisas suadas e mangas arregaçadas.
Eleitores um pouco mais atentos conseguem perceber nos sorrisos e afagos a falsidade e o interesse sub-reptício; para os candidatos somos um mundo de possibilidades; somos um rebanho acuado que, por causa do medo manipulado, da segurança esquecida, da pobreza histórica e da miséria de muitos estamos na mira do mais astuto e persuasivo.
O eleitor crê! Espera, acredita e aposta. Os que estão mais próximos do candidato sentem-se resolvidos, arrumados e orgulhosos; mais ou menos como uma-mão-lava-a-outra.
Seria como quem crê no paraíso; compra um cantinho no céu laborando por diárias, refeições e camisetas. De positivo é o trabalho farto e disponível para quem quer em épocas de eleições. Tudo bem! Depois cessará e a realidade baterá à porta.
E é neste comportamento de troca de interesses frágeis - na verdade angustiantes para ambos os lados - que me apego.
Assim é a política, assim somos nós - os eleitores - e assim são os políticos.
Não vejo como os novos administradores cumprirão promessas.
A única certeza que tenho é a falta de verdadeiros líderes políticos corajosos e desprendidos de interesses pessoais independentemente de siglas e ideologias.

terça-feira, outubro 07, 2008

NOVO HAMBURGO - PORTO ALEGRE - NOVO HAMBURGO - BR116


Quem se aventurar por esta superada via deverá estar preparado como se fosse subir num ringue de vale-tudo.
Por questões de trabalho tenho que me submeter às regras impostas por motoristas raivosos, vingativos, atrasados e que usam o celular enquanto pilotam veículos de passeio, caminhões, ônibus, kombis e até motocicletas, como eu mesmo já presenciei.
A inexistência de sinalização adequada só perde em quantidade - e qualidade - para a falta de fiscalização, totalmente inexistente, por parte do polícia rodoviária federal.

Placas orientando motoristas de caminhões para que circulem na pista da direita foram recentemente instaladas ao longo do trecho, mas parece que os caminhoneiros não aprovaram, porque permanecem circulando pela esquerda demonstrando falta de educação. Eles não cumprem as leis básicas de trânsito e desafiam autoridades que preferem enfiar a cabeça no buraco e deixar por isso mesmo.

Que a rodovia está superada, não há dúvida.
Porém, ações inteligentes no sentido de organizar o trânsito – eu disse: inteligentes – estão longe de acontecer. Afinal, pensar, para alguns técnicos – deve doer!

A BR116 é um caso de pesquisa científica.
Ali transitamos nós, brasileiros, que não gostamos de leis, porque temos que cumpri-las; de impostos, porque temos que pagá-los e não nos dão retorno social, político e individual.
De polícia, porque não é eficiente; de caminhões em excesso transitando em alta velocidade quando produtos e serviços deveriam ser distribuídos e prestados de formas mais adequadas e diligentes.
Nós, brasileiros, aceitamos regras impostas pela impunidade, tanto que elegemos políticos corruptos que olham para o próprio umbigo e, quando têm alguma qualidade, são engolidos pelos interesses maiores – eu disse maiores? – da confraria político-partidária.

Pelo menos hoje eu consegui voltar para casa somente com o prejuízo moral, pois contrariando as regras eu tentei – que me desculpem os motoristas das carretas – manter a velocidade máxima de 80 km.
Coitadinha da minha mãe!
Pois é! Agora me dou conta!
Lembrei-me de uma notícia na internet sobre um engenheiro português que, para se defender da multa que levaria ao ser parado numa rodovia por excesso de velocidade, argumentou com o policial dizendo que a placa não informava se era por hora, metro, segundo, ou por dia!
E nós nos achando espertos dentro de nossos carrinhos!

quinta-feira, outubro 02, 2008

A PRIVACIDADE JÁ ERA...

Li na internet que os japinhas estão desenvolvendo celular que permitirá ver através das paredes.
Pois, na verdade, a tecnologia que invadirá nossas vidas, de certa forma, já é uma realidade.
Um amigo contou que estava na suíte máster de um motel transando com sua mulher e pensou estar tendo seu desempenho sexual avaliado através de um pequeno aparelho instalado junto ao teto, que ele viu, no momento de uma das peripécias.
Trepando, mas numa das cadeiras do quarto, ele arrancou aquilo constatando ser uma microcâmera. Indignado, ele invadiu a sala da administração e encheu a atendente com os piores impropérios, além de derrubar a bandeja com as xícaras e a garrafa térmica que se se espatifou no chão, manchando o carpete cor caramelo que cobria a sala. A câmera de segurança testemunhou tudo!
Depois da confusão, ao sair, ainda ofendeu o porteiro do motel fazendo aquele característico sinal com o dedo médio, tudo sob a mira da câmera do circuito interno e externo de segurança daquele estabelecimento.
Dois dias após ele foi à delegacia de polícia, pois fora intimado por um escrivão a prestar esclarecimentos por conta da balbúrdia e a desordem provocada no motel.
Depois das formalidades o delegado informou que o depoimento estava sendo filmado e que serviria como prova, caso meu amigo fosse levado ao juiz.
Sorte foi que seu advogado conseguiu gravar as imagens dentro da sala do delegado. Enquanto ocorria a sessão de perguntas e respostas o advogado habilidoso disfarçou que conversava ao telefone celular, quando na verdade filmava tudo.
Ninguém sabe como, mas as imagens da chegada do meu amigo àquela delegacia foram parar na televisão. ( É que ele é um cara conhecido; joga futebol num grande clube e assim temeu perder os polpudos reais que recebe pelo direito de imagem que o patrocinador detém. Ele desconfia que esteja sendo seguido por algum paparazzo.)
A diferença com relação à notícia que li na internet é que os japinhas possibilitarão a invasão total de nossa privacidade. Seremos vistos no quarto, na cozinha, pelados, vestidos e em outras situações mais indiscretas ainda.
E, vice-versa, cada um de nós poderá bisbilhotar através das paredes...
Sinal dos tempos!

sábado, setembro 27, 2008

Sugestão Política



I - DAS OBRIGAÇÕES DOS POLÍTICOS ELEITOS - DEMISSÃO

Art. 1º - o candidato eleito deverá realizar todas as promessas feitas durante a campanha conforme os compromissos assumidos publicamente e de acordo com o cronograma por ele apresentado.
$ 1º - Vencida a data da realização da promessa qualquer cidadão poderá requerer a demissão imediata do safado.

sábado, agosto 02, 2008

ENFADADO

Não é a falta de assunto que me atormenta.
É o exagero de informações que são jogadas para comprar a audiência e vender espaços.
Mortes, corrupção, crianças assassinadas, seqüestros, estupros e agora políticos que prometem o paraíso...
Zangadiço e rabugento me vejo diante de tanta notícia repetida, repetida e igual...
Não há critério; não há qualidade; não há ética; não há limites...

É um bostal!

sábado, julho 05, 2008

BEBER PODE!

A grande confusão causada por causa da “lei seca” está deixando muita gente descontente.
Na minha desimportante opinião acho que o limite definido como “zero” não foi bem avaliado; talvez até meio-burro!
Porém, a lei diz aquilo que já dizia antes; a alteração foi o limite que diminuiu e, ao mesmo tempo, as abordagens que aumentaram.
Então, beber pode; não pode dirigir se beber.

Quando a lei que proibiu o fumo em lugares fechados foi editada as reclamações surgiram de todos os lados. Pois o número de fumantes não diminui; o câncer de pulmão também não e hoje convivemos pacificamente com quem fuma e carrega seus problemas respiratórios.
Assim, o número de pessoas que bebem da mesma forma não irá diminuir. Teremos que nos adequar à nova situação usando motoristas, taxis, amigos que não bebem ao volante, etc.
É uma questão de educação e de saber qual o próprio limite.

Penso que está acontecendo certo exagero em tudo isso.

Logo, logo, a lei deverá sofrer correções.
No caso do limite zero este certamente será aumentado e, depois que as empresas que fabricam e vendem o temido bafômetro enriquecerem, depois que a fiscalização voltar ao padrão que todos nós conhecemos e a mídia se dedicar a CPI-DO-PRÓXIMO-ESCÂNDALO - deixando de lado os crimes de estupro e seqüestros, entre outros - tudo voltará à normalidade brazuca.

Ocorre que os marginais soltos pelas ruas aterrorizam os que bebem ao dirigir, os que bebem sem dirigir, os que não bebem, não fumam e que quase não podem mais sair de casa.

Os marginais não são abordados e continuam soltos; os que bebem um copo de cerveja são submetidos às abordagens policiais e presos.

Ou será que depois dessa lei todos somos criminosos?

quarta-feira, maio 21, 2008

Teatro Paschoal Carlos Magno

O Teatro Municipal de Novo Hamburgo tem o nome de Paschoal Carlos Magno.

No dia 01/08 a Banda BBLUES estará realizando o Show BBLUES-LEME-BLUES que será em prol da LEME - Lesados Medulares de Novo Hamburgo.

A seguir apresentamos a biografia de Paschoal Carlos Magno, figura importante da história do teatro no Brasil.

Biografia
Paschoal Carlos Magno (Rio de Janeiro RJ 1906 - idem 1980). Animador, produtor, crítico, autor e diretor. Personalidade fundamental na dinamização e renovação da cena brasileira, Paschoal Carlos Magno funda o Teatro do Estudante do Brasil e o Teatro Duse.
Em 1926, faz uma experiência como galã em Abat-Jour, de Renato Viana. Em 1928, tem uma fugaz participação, como ator, no Teatro de Brinquedo, de Álvaro Moreyra; e escreve críticas para O Jornal. Em 1929, lidera ampla campanha de coleta de recursos para fundar a Casa do Estudante do Brasil. Em 1930, recebe da Academia Brasileira de Letras, ABL, um prêmio pela sua peça Pierrot, montada no Rio de Janeiro pela companhia de Jaime Costa, da qual Paschoal assume a direção artística. Em 1937, funda o Teatro do Estudante do Brasil, TEB, inspirado nos teatros universitários europeus, com uma função pedagógica, de formação teatral, e outra artística, de introduzir no nosso teatro a função do diretor teatral, cargo para o qual convoca a atriz Itália Fausta, que assina o primeiro espetáculo do grupo, Romeu e Julieta, de William Shakespeare, em 1938.
Em 1946, Paschoal tem representada em Londres, com boas críticas, a sua peça Tomorow Will Be Different, montada em vários outros países europeus, e também no Brasil. No mesmo ano, assume a coluna de crítica do jornal Democracia e, no ano seguinte, a do Correio da Manhã, que assina até 1961, através da qual exerce forte influência sobre o panorama teatral. Em 1948, sob sua orientação geral, e com direção do alemão Hoffmann Harnisch, o TEB monta Hamlet, de William Shakespeare, que alcança enorme sucesso e prestígio, sobretudo por revelar, no papel-título, o singular talento do jovem Sergio Cardoso, então com 22 anos, a quem Paschoal define, na sua coluna, como sendo desde já o maior ator do Brasil. Sob a repercussão desse êxito, e das viagens de Paschoal pelo Brasil afora, teatros de estudantes começam a ser criados em várias cidades. Em 1949, Paschoal preside o lançamento pelo TEB, de um Festival Shakespeare, no Rio de Janeiro, com Romeu e Julieta, Macbeth e Sonho de Uma Noite de Verão; e cria, junto com a cantora Alda Pereira Pinto, o Teatro Experimental de Ópera.
Em 1952, Paschoal leva o TEB para extensa turnê pelo norte, com peças de Sófocles, Eurípides, William Shakespeare, Gil Vicente, Henrik Ibsen, Martins Pena. No mesmo ano, dá início a uma outra iniciativa importante: o Teatro Duse, uma sala de aproximadamente 100 lugares e um palco mínimo, instalada no casarão de Paschoal, em Santa Tereza. Inaugurado em 1952, com João Sem Terra, de Hermilo Borba Filho, o Duse funciona, com ingresso gratuito, até 1956, revelando, entre outros, Aristóteles Soares, Francisco Pereira da Silva, Leo Vitor, Antônio Callado, Rachel de Queiroz, Paulo Moreira da Fonseca, Maria Inês Barros de Almeida, e conquistando um lugar de prestígio no panorama cultural do Rio de Janeiro. Nomeado responsável pelo setor cultural e universitário da Presidência da República por Juscelino Kubitschek, desloca-se permanentemente pelo país afora, garimpando jovens talentos e lutando pela criação ou dinamização de espaços onde eles possam dar vazão à sua ânsia de aprender e criar. Em 1958, organiza em Recife o primeiro Festival Nacional de Teatros de Estudantes, reunindo mais de 800 jovens e dando início a uma tradição que prosseguirá até o sexto festival.
Nomeado, em 1962, secretário geral do Conselho Nacional de Cultura, realiza a Caravana da Cultura, reunindo 256 jovens artistas que percorrem os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Alagoas, apresentando espetáculos de teatro, dança e música e realizando exposições de artes plásticas e distribuição de livros e discos. Uma iniciativa semelhante, a Barca de Cultura, que desce pelo Rio São Francisco de Pirapora a Juazeiro, é promovida por Paschoal já na década de 70. O golpe de 1964 o afasta dos centros do poder e prejudica a sua carreira diplomática. Sua última grande realização inicia-se em 1965, quando ele inaugura, no interior do Estado do Rio de Janeiro, a Aldeia de Arcozelo, da qual pretende fazer um local de repouso para artistas e intelectuais e um centro de treinamento para as diferentes áreas das artes. Mas a volumosa obra consome o resto da sua fortuna e o obriga a vender o seu casarão de Santa Tereza para pagar as dívidas. Ainda assim, o dinheiro revela-se insuficiente, e Paschoal ameaça publicamente tocar fogo na fazenda. Alguns auxílios, oficiais ou privados, chegam a ser liberados; mas até hoje a Aldeia de Arcozelo encontra-se fechada sob o domínio da Fundação Nacional de Artes Cênicas.
O crítico Yan Michalski avalia sua contribuição ao teatro brasileiro: "Paschoal Carlos Magno, pessoa física, foi na verdade uma instituição: sozinho, embora sempre ajudado por legiões de jovens que ele sabia contagiar com a mística das suas utopias, ele quase chegou a exercer, às vezes, funções que caberiam a um informal Ministério da Cultura. Personalidade polêmica, era muito questionado por repetir infinitamente um ritual que consistia em inventar e lançar um projeto de sonho aparentemente utópico, e, a seguir, mover céus e terra para cobrar dos poderes públicos os recursos necessários para a sua concretização; e também por atribuir triunfalmente - sobretudo na sua coluna do Correio da Manhã - vislumbres de genialidade a promessas, sobretudo regionais, que ainda davam seus primeiros passos. Muitas das inovações que trouxe à vida teatral brasileira foram genuinamente revolucionárias; mas havia na sua atuação um toque paternalista claramente conservador. Não há dúvida, porém, de que seu apostolado defendia, quase sempre, as boas causas; de que o seu entusiasmo revelou talentos que sem o seu apoio dificilmente teriam desabrochado; e de que raras são, ainda hoje, iniciativas válidas do teatro brasileiro a que não esteja ligado alguém que não tenha recebido em algum momento um empurrão decisivo do patriarca de Santa Tereza".1

Texto extraído do site ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL

sábado, maio 03, 2008

QUEM DISSE?

Hoje à tarde nos reunimos para um encontro musical, como fazemos aos sábados, aqui no estúdio caseiro que, tempos atrás, foi um quiosque.
Nando (20), meu filho, fez percussão; cajon, bongô, tamborim, rebolo, pandeiro, etc; Guilherme (19), na guitarra Ephifone, solou e acompanhou e eu, o tiozão (54), fiz vocal e guitarra acústica, numa Condor na medida. Tudo rolou num volume adequado aos ouvidos, apesar de os instrumentos estarem “plugados” nos combos Fender e Meteoro, típicos do rock, blues e até coisa mais pesada.
Tocamos MPB e Bossa Nova; no repertório tinha Carlos Lyra e Vinícius, Tom Jobim e Newton Mendonça, Menescal, Lúcio Alves e Haroldo Barbosa, Tito Madi e outros.
A idéia foi do Nando; assim conversei com o Guilherme – também conhecido como “Cabelo” – por causa da longa madeixa; ele topou na hora!
Foi uma tarde daquelas que não esquecerei, pois além de tocar música de qualidade e brasileira, passei pela experiência de ver os garotos interessados numa fase musical na qual eu vivi como adolescente.
Lembrei das “rodas de samba” na sala de estar da casa de meus pais e que aconteciam aos sábados à noite.
Muito samba, bossa nova, músicas de protesto contra o regime, músicas de fossa, festivais no Auditório Araújo Viana, rodas de violão nos intervalos das aulas no Julinho, rodas de samba na Arquitetura, na PUC...
Hoje todo esse filme passou por trás dos meus olhos... Foi gratificante ver os garotos envolvidos com a boa música.
Quem disse que a garotada está alheia errou feio, pois nem tudo está perdido!

sábado, abril 19, 2008

CAMBURIU DOS VELHOS DE MARÇO

Nas tendas montadas à beira-mar, nos bancos espalhados pela calçada ao longo da orla e à sombra de árvores eu encontrei hoje, dezenas de idosos quando estive no Balneário Camburiu.
Brasileiro-gaúchos e argentinos, que identifiquei pelas enormes cuias ou pelas “cuiazinhas” pequenas típicas do “mate” dos “hermanos”, eles se acomodavam na areia de Camburiu; jogavam bocha, malha, dominó e conversa fora.
A idade daquela turma eu estimei acima dos sessenta; alguns perto dos oitenta e até mais.
Vi muita disposição, fato que me fez deduzir que aqueles velhos tinham plano de saúde e boas aposentadorias, ao contrário da maioria da população de idosos que, pelo menos no Brasil, morrem e mofam nas filas da previdência social com os bolsos vazios; ás vezes, com uns trocos para a passagem de volta para casa a fim de voltarem dali a dois ou três meses porque não havia mais ficha no posto.

Nas muitas cafeterias do calçadão, que ficam bem no centro, numa daquelas características ruazinhas transversais à Beira-Mar, mais velhinhos de março ocupavam as mesas bebendo café e conversando sobre futebol e doenças, temas preferidos dos idosos.

Nada de guardas vestidos de azul; nada de policiamento ostensivo; nada de flanelinhas e pedintes e nenhum, mas nenhum banheiro químico!
Como se “aliviam” depois de tanto mate, chimarrão e prováveis diuréticos por causa da pressão alta?
Fiquei sem resposta, mas acho que, pela proximidade da praia, os velhinhos se deslocam até os hotéis.

Nada de lixo acumulado!

E os carros? Estes param antes das faixas de segurança! Esperam pacientemente a lenta travessia dos velhinhos!
Será o tempo de Camburiu medido em uma escala que não conhecemos ou a educação dos motoristas foi despertada?
Será a passagem das horas para os velhinhos de Camburiu diferente da velocidade do resto do Planeta?

A Camburiu dos velhos de março não é o Brasil dos brasileiros e certamente não é a Argentina dos argentinos, mas um sonho de março.